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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Práticas Educacionais e Relações de Poder


Práticas educacionais e relações de poder: o Projeto Político Pedagógico


“As escolas-fábricas, a publicidade, o condicionamento de
qualquer Ordem, ajuda com solicitude a criança, o adolescente,
o adulto a obter lugar na grande família dos consumidores.”
(VANEIGEM, 1974, p. 149)

Esboçando pensamentos acerca das táticas mercadológicas do sistema capitalista de produção, Vanegeim chama atenção ao caráter irrestrito da cultura e as formas como esta se reinventa na vida cotidiana moderna. Questiona o caráter intencional das ideologias propagadas reprodutivamente, as quais propõem uma mesma compreensão de mundo, a partir da “cultura dominante” imposta a sociedade de consumo.
Se analisarmos o Projeto Político Pedagógico de nossa Escola, sob esta perspectiva, percebemos que o mesmo deve ser concebido como expressão coletiva coerente, demandada da relação efetiva entre teoria e prática, pois conforme afirma o próprio autor:

(...) mesmo quando é necessário um líder no jogo, o seu poder de decisão nunca é exercido às custas do poder autônomo de cada indivíduo. Ao contrário, ele concentra a vontade de cada indivíduo, a duplicata coletiva de cada desejo particular. O projeto de participação implica portanto uma coerência tal que as decisões de cada um sejam as decisões de todos. (VANEIGEM, 1974, p. 174)

Em outra palavras, ao passo que o Projeto Político Pedagógico é visto como articulador principal dos meios e fins a que se destina a educação escolar, é importante que seja elaborado democraticamente com base na realidade sóciocultural, econômica e política, as quais, singularizam nossa instituição em relação as demais.
Como uma das caracteríticas fundamentais deste documento é justamente sua readaptação contínua ao passo que a Escola se defronta com novos paradigmas, penso que nossa Escola tem rendido importantes esforços neste sentido, através das reuniões pedagógicas que são organizadas para este fim.
Em minha opinião, é importante que a Escola esteja atenta ao seu papel social e as significativas contribuições que lhe competem na formação de cidadãos pro-ativos, pois de nada adianta apenas questionar as realidades sociais com vistas a imparcialidade, sem ingerência ativa.
É fundamental que o Projeto Político Pedagógico se traduza em prática por parte do coletivo escolar, seja um projeto de participação real e efetiva, embasado em ações estrategicamente constituídas, desfragmentadas e transparentes.

REFERÊNCIAS

VANEIGEM. Raoul. A arte de viver para as novas gerações: O projeto de participação. p.172 a 179. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1252181/mod_resource/content/1/viver-novas-geracoes-digitalc3aa-completo-1.pdf> Acessado em 28 de junho de 2015.









segunda-feira, 4 de maio de 2015

...filosofias afins e enfins filosóficos...

   A atividade do dia do curso de PEAD incluía a visualização crítica do filme "Quanto vale ou é por quilo?".
   Quando li as sínteses críticas e sinopses  disponíveis na internet, antes mesmo de assisti-lo, já imaginei: "- Lá vem bomba! Já começa pelo fato de ser produção nacional..."
   Confesso que ir a cinemas, entrar em discussões cinéfilas e toda a gama de paciência e atenção que um filme requer, nunca me foram "um chamariz", por assim dizer... talvez em função deste meu preconceito e tal qual aconteceu com o filme Macunaíma, o filme não me chamou a atenção à primeira vista.
   As cenas iniciais, embora de caráter mais chocante que os tradicionais que abordam a questão da Escravidão no Brasil, traziam em si a mesma mescla de que o dinheiro empodera o ser humano cuja máxima expressão está no poder estipular o "valor do outro" ou o seu "peso social".
   Mas então, contrariando a síntese dantesca do trivial, novas imagens são inseridas e com elas, o desconforto!
   E o desconforto me faz rememorar a aquela letra de música que melodicamente, diz: "(...) É duro tanto ter que caminhar / E dar muito mais do que receber /E ter que demonstrar sua coragem / À margem do que possa parecer / E ver que toda essa engrenagem / Já sente a ferrugem lhe comer". (disponível em http://www.vagalume.com.br/ze-ramalho/admiravel-gado-novo.html)
   Durante as aulas de Geografia, insisto com os alunos que temos de enxergar além do visível, "pois além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz."... me peguei pensando em quantas vezes realmente podemos fazer este exercício em meio a esta pauliceia desvairada de nossa existência, que traz intrínseca a fatídica ideia do "pão caro e da liberdade pequena"... De certa forma, isso legitima minha insistência nas brigas contra aqueles que subjugam meu fazer pedagógico.
   Penso que este seja o maior desafio da minha profissão:  Ensinar/aprender a enxergar para aprender/ensinar a pensar.