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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Curiosidades e experiências

Lendo alguns textos e assistindo alguns vídeos encaminhados pela Interdisciplina de Representação do Mundo pelas Ciências, percebi que minhas aulas tem um "quê" de construtivista sim. 
Talvez por ter aversão às formas de avaliação tradicional, sempre procuro mesclar minhas aulas com momentos em que o aluno se sinta co-responsável pelo conhecimento que estamos trabalhando, veja-se desafiado a demonstrar suas habilidades, compartilhar dúvidas e certezas.
Quando começo a trabalhar com eles noções de orientação espacial, pontos de referência, lhes desafio a construir bússolas. Sempre me surpreendo com a variedade de materiais que eles utilizam para este intento: papel, folha de árvore, pedaço de madeira, cortiça, clips, imã de geladeira, e por aí vai. Então, concordo plenamente quando uma das pessoas do vídeo diz que "as crianças tem uma curiosidade gigantesca para descobrir o mundo, coisa que nós alunos, deixamos de nutrir quando crescemos.



Acho que é bem por aí, infelizmente.
E como é bom desafiar este povo! Vê-los se organizando para descobrir formas de "Como fazer um ciclo da água que chova e produza modificações no relevo?", ou  "Se eu demonstrar um abalo sísmico dentro de uma caixa de sapato, preciso pensar um modo das pessoas enxergarem como acontece.", ou ainda, "De que forma vou representar esta coisa de os espaços geográficos estarem um dentro dos outros ao mesmo tempo?"



Ou então, você propõem a eles que no trabalho sobre as utilidades do solo, produzam um "cuca verde" e eles aparecem com os "tipos" mais genuínos possíveis? 
Definitivamente, análise, curiosidade, registros, não são processos que caracterizam apenas os esforços das ciências, pois afinal, todos somos pesquisadores, estamos sempre em busca de satisfazer curiosidades pessoais. Acho que o lado bom da Escola é justamente isso: auxiliar a manter a curiosidade na busca de compreender o mundo que está a nossa volta. 
    
    

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

As relações entre visão de mundo e de natureza: a ciência e sua utilização para a vida sustentável

 Inicialmente, há que se dizer que a construção da Usina Hidrelétrica da Itaipu Binacional não significou apenas o desvio do Rio Paraná de seu curso natural, como também a inundação de extensas áreas florestais e agriculturáveis (lembrando que a economia paranaense baseia-se principalmente na produtividade agrícola). Além disso, no início da década de 1980, com o fechamento das comportas da barragem de Itaipu, as Sete Quedas (até então considerada a maior cachoeira do mundo em volume de água) foram sendo submergidas pouco a pouco, até que lentamente, deixaram de existir! (Para saber mais informações sobre isso, é possível pode-se acessar: http://pt.slideshare.net/elosteffens/as-sete-quedas-e-itaipu )



O nome “Itaipu” significa “pedra que canta”, forma pela qual os guaranis daquela região referiam-se a uma ilha, quase sempre submersa, que parecia medir forças com os barrancos, há poucos quilômetros da confluência entre do Rio Paraná com o Iguaçu.
Todavia, estudos científicos apontaram para aquele ponto um rendimento energético excepcional em virtude do longo cânion escavado pelo Rio Paraná.


 Cito os dados acima porque, se de um lado temos BANIWA falando do empirismo e subjetividade indígena, também o vemos afirmar em dado momento que “cada cultura tem forma própria de organizar, produzir, transmitir e aplicar conhecimentos sempre no plural.” (2006, p. 170). Desta forma,  quando falamos em sustentabilidade, não há como negar a influência indígena neste viés, já que a primazia desta prática se pauta no respeito à natureza. Mas, o grande desafio é: como uma nação pode tornar-se sustentável, depois de 500 anos de história estruturada em moldes capitalistas?
Para exemplificar: É possível impedir a expansão dos “Desertos Verdes” e suas formas de sedução econômica de lucros à curto prazo, conscientizando ecologicamente a população de que estes hábitos potencializam o fenômenos ligados à infertilidade do solo? Esta é uma das preocupações que assolam a comunidade remanescente de quilombos em Casca/ RS, conforme apontam estudos realizados por Laiz Wediggen e Paulo Sérgio da Silva.
A primeira vista, parece uma luta desigual, injusta.
Entretanto, a mesma ciência que propunha  a utilização da energia hidráulica para produção de luz elétrica, ou ainda, a plantação de pinus elliot ou acácia negra para contenção do fenômenos geofísicos, é a mesma que nos surge com sugestões de fontes  de energias alternativas (eólica, solar, biomassa, geotérmica, etc), que nos fala da reutilização de materiais considerados recicláveis, ou ainda, construções de usinas hidrelétricas com reduzidos níveis de impacto sócioambiental.
Neste sentido, o avanço das tecnologias e a simultaneidade das informações são de grande valia porque potencializam a disseminação destes conhecimentos e, estando a Escola socialmente incluída neste contexto, compete-nos enquanto professores, promover práticas com vias a compreender e praticar a sustentabilidade em nosso cotidiano escolar, habituá-la como uma premissa existencial, sejam em conversas informais quanto a importância de que cada ser humano faça a sua parte para o bem comum, seja realizando projetos maiores que englobem também as famílias dos alunos e a própria comunidade escolar nestes processos de conscientização.

REFERÊNCIAS


BANIWA. Gersem. A ciência e os conhecimentos tradicionais in O índio brasileiro: O que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Disponível em : https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1776550/mod_resource/content/1/Livro%20%20-%20O%20%C3%ADndio%20brasileiro%20O%20que%20voc%C3%AA%20precisa%20saber%20sobre%20os%20povos%20ind%C3%ADgenas%20no%20Brasil%20de%20hoje%20de%20Gersem%20Baniwa.pdf acessado em 28 de novembro de 2016.

WEDIGGEN. Laiz e SILVA, Paulo Sérgio da. Educação e respeito ao meio ambiente: a perspectiva emancipatória da educação na comunidade remascente de quilombos de Casca in PROEJA Quilombola. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1798236/mod_resource/content/1/Livro%20PROEJA%20Quilombola.pdf, acessado em 28 de novembro de 2016.