Mostrando postagens com marcador Reflexões pessoais; Coisarada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões pessoais; Coisarada. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de maio de 2017

Dia do Trabalho... e quando não é?



           Certa noite de domingo, naquela hora em que a musiquinha do Fantástico te deprime, ora porque é sinal de que as horas de "descanso" estão chegando ao fim, ora porque o resumo das notícias semanais te desanimam, tentando dar conta de toda insensibilidade humana que permeiam a realidade mundial de nossos dias, lembrei que a internet poderia ser uma alternativa para desopilação.
      Entre postagens, curtidas e fotos do facebook, um pequeno texto chamou a minha atenção, principalmente em função dos múltiplos compartilhamentos entre meus colegas de profissão. Ali, dizia assim:


"Nesta tarde (ou manhã, ou noite), em algum lar, um(a) professor(a) está preparando a aula para o seu filho na escola, enquanto você trabalha ou assiste TV.
Neste mesmo minuto, professores do mundo todo estão usando o seu “tempo livre”, muitas vezes gastando do seu próprio bolso, para a educação, prosperidade e futuro do seu filho."


            Pois era justamente isso! Ali, estava eu, com várias abas abertas de sites pedagógicos, procurando novas atividades e sugestões de lembrancinhas para o dia das mães, "carregando umas pedras enquanto descanso"!
         Não compartilhei a publicação, mas foi interessante o quanto algumas palavras de terceiros vem nos convidar à reflexão de forma tão inesperada às vezes.
         Comecei a pensar no meu cotidiano... na sexta-feira que vim caminhando pela rua, da Escola até a minha casa, trazendo  25 cadernos em minha mochila, para corrigir as tarefas de meus alunos porque não foi possível fazer isso em sala... lembrei que todas as noites meu horário de sono só é permitido depois das 2 horas da manhã e só acontece porque antes, tomo remédios receitados pela psiquiatra, justamente porque as horas que meu corpo necessita para relaxar são divididas com a ansiedade causada pela preocupação que tenho com alunos que não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizagem dos demais e necessitam de olhares especiais... pensei no horário marcado com o ortopedista para verificar as dores que tenho sentido na coluna, outra rotina que não costumava a estar no meu cotidiano existencial há algum tempo atrás...
         Realmente, tenho gastado do meu bolso para ser professora!
       A vida tem me feito estas cobranças e é muito triste quando percebo que não tenho o suficiente para reembolsá-la depois...
         Beirando os quarenta, você não olha mais as coisas com o mesmo olhar romantizado dos 20. A praticidade dos 30, continua a imperar. O tempo passa a urgir e os cabelos brancos te contam diariamente que as coisas daquele dia, não serão mais como eram antes...
         Então, nestas filosofias e entrelinhas, o tal do tempo vem novamente te dizer:
         - Ivonete, o que você vai trabalhar com os alunos do nono ano amanhã? Tu tens de preparar algum conteúdo sobre o Oriente Médio! Ahh, e não te esquece que esta turma tem a guria que é inclusão, e que tu tens de adaptar o conteúdo para o nível dela para que a acompanhante possa ajudar.... e tem o sétimo ano, a questão dos biomas brasileiros está em aberto, você precisa pensar uma forma de encaminhar tudo para a pampa porque então, já pode dar sequência para a Região Sul... Quanto aos alunos da tarde, aquele texto do Juca das Rosas parece ser interessante para começar os diálogos sobre o Dia das Mães, inclusive, é interessante abordar a questão de substantivos próprios e comuns porque abre um leque para isso... 
         Começa o Domingo Maior... o filme já passou umas trezentas vezes na sessão da tarde... meu corpo está relutando contra a impressora... as coisas do nono ano são para a manhã seguinte....
          Aí, o tempo diz:
          - Ok, Ivonete, toma teus remédios e vai dormir. Para amanhã, estamos com tudo pronto. Agora, você tem de "guarda energia" para os trabalhos da UFRGS de amanhã a noite, porque as datas estão se aproximando..."
          E lá, eu vou... Brincar de viver, porque tenho de ter dinheiro para pintar os cabelos brancos depois...
          Ahhh, mas antes, FELIZ DIA DO TRABALHO! 👍


        

         Referências:


terça-feira, 21 de março de 2017

Enfim, ganhei minha turma!

(Alguns dos "meus", em nosso "bailinho de Carnaval")

     Aprendi com a minha mãe que, quando queremos alguma coisa de verdade, todos os anjos conspiram para que tudo aconteça! Pois esta, é a exata sensação que tive ao iniciar o ano letivo de 2017!
     Após trabalhar três anos nesta Escola, na condição de R2 (professora responsável pelas disciplinas de Artes, Religião, Cidadania, Música e Geografia de um sexto ano, diga-se de passagem!), finalmente, ganhei o MEU terceiro ano! Minhas 25 crianças!
       Não que eu não tenha gostado de minhas experiências anteriores e, modéstia a parte, sempre fui muito elogiada pelo capricho e dedicação que me proponho ao sugerir as atividades aos meus alunos. Entretanto, sabe quando você quer aquela "turma pra chamar de tua"? 
      Eles são muito queridos, mas conversam até pelos cotovelos! Vez por outra, nos estranhamos, é verdade! 
       Pouco a pouco, vou conhecendo suas histórias. Algumas são realmente tristes, o que faz daquela criança uma heroína aos meus olhos, pois sinceramente, não sei se estruturalmente, conseguiria ter passado por semelhante experiência e mesmo assim, ainda ter um sorrisão gratuito pra enfrentar estas agruras que o mundo anda oferecendo ultimamente!
    Alguns, mal reconhecem as letras, outros, formam frases ainda simplificadas e repetitivas, tem também os que dizem que a dezena são iguais às unidades estando a diferença apenas na escrita e não na quantidade. Outros, riem das minhas bobagens e chegam a esperar porque sabem que logo depois da briga, vou dizer uma besteira pra "aliviar o clima".
      E assim, seguimos nós... 
     Às vezes, aquela vozinha interna que todo o professor tem, vem e me diz: "-Ivonete, você vai dar conta de tamanha heterogeneidade?" 
     Se esta pergunta vem numa quarta-feira, dia que eles tem a hora da leitura e me contam fascinados sobre o que aprenderam, respondo: "- Ahhhh, capaz que não, Ivonete!! Olha pra eles! Estão no caminho e tu sabes bem por onde guiá-los! Teus dezesseis anos de magistério vão dar conta!"
     Agora, se me pega de sobressalto numa sexta-feira, o desânimo já se apressa na resposta: "- Se você tivesse suas turmas de R2 agora, era só ir pra casa, pensar em novas brincadeiras pra semana que vem! Mas não!! Agora, está aí você, sobrecarregada de cadernos pra corrigir, planejamentos para fazer no final de semana!"
      Mas, sabe... Daí, tu recebe uma cartinha daquele aluno (aquele mesmo com quem tu brigou a tarde toda pra caprichar no caderno), dizendo que tu é a mãe que ele queria ter conhecido... Bah, não tem como pensar nisso, não encher os olhos de lágrimas e pensar:
       "- Ivonete, eles são teus!"