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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Narrativas de alunos: características identitárias do relevo gaúcho


A ideia inicial da atividade é a proposição do envolvimento dos alunos em atividades que falem a respeito da construção de identidades (do município, da Escola, do ser gaúcho), com suporte nas fotos utilizadas nas atividades anteriores. Entretanto, por se tratarem de alunos maiores, tomei a liberdade de alterar o viés argumentativo, por assim dizer, solicitando-lhes que falassem espontaneamente acerca das experiências e identificações pessoais construídas em suas participações nas saídas a campo realizadas no transcorrer deste ano letivo.
Durante as orientações que foram repassadas à eles, enfatizei que  todos pontos que visitamos fazem parte da caracterização topográfica do relevo gaúcho (Serra Gaúcha e Morro Sapucaia), sendo portanto, referenciais identitários em se tratando de prática do turismo regional.
Infelizmente, a localização geográfica de nossa escola prejudica um pouco a questão acústica. Então, como forma de tentar amenizar um pouco esta questão, agreguei ao fundo uma música instrumental (tocada pelos gaúchos Yamandu Costa e Renato Borgheti), enquanto as falas dos alunos vão sendo apresentadas, perpassando-as com algumas fotos  tiradas nas atividades.

Ao final, como o tamanho do vídeo produzido excedeu a capacidade de armazenamento disponibilizado pelo Moodle, precisou ser anexado ao youtube para possibilitar a visualização.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Saída a Campo - Museu do Trem




            Estamos trabalhando sobre a constituição do espaço social sulista e como a Interdisciplina de Representação do Mundo pelos Estudos Sociais nos propôs a realização de Saídas a campo como didática de ensino, dada a sua validade como prática pedagógica (que particularmente, eu adoro!), resolvi levar uma de minhas turmas de 7o Ano para visitar o Museu do Trem localizado geograficamente próximo à nossa Escola. 

Todavia, ao percorrermos o caminho, todos deveriam atentar para aspectos antropológicos na constituição espacial dos arredores de nossa Escola, sobretudo, aqueles que lembrassem poluição de ordem hídrica, sonora ou áudio-visual, registrando seus apontamentos de forma escrita ou ainda, sob a forma, de fotografias. 
Foi muito interessante porque apesar de se tratarem de espaços comuns ao seu cotidiano, raramente se tem tempo para observá-los detalhadamente, 

Desta forma, era comum perceber a indignação dos alunos com relação às pixações e depredações aos mobiliários urbanos, ao passo que íamos percorrendo nosso caminho.

Alguns diziam que era descaso por parte da administração pública, outros, da população. Já haviam os que defendiam que as pixações deveriam ser compreendidas como uma forma de expressão que as pessoas se utilizavam para expressar seus pontos de vista. Polêmicas à parte, procurei não intervir nos debates, deixando-os esboçarem e defenderem seus pontos de vista sobre as observações que iam realizando.
Todavia, há que se dizer que a riqueza argumentativa foi muito frutífera!
Chegando ao Museu do Trem, os guias nos aguardavam, pois os havia contatado com antecedência. Ambos com formação acadêmica em História e muito atenciosos, dividiram a turma em dois grupos de 15 alunos cada, onde cada uma de nós, professoras, ficamos responsáveis pelos acompanhamentos.
Enquanto um grupo iniciou a visitação pela parte externa, pelas locomotivas e vagões em exposição, o outro grupo acompanhou o guia na parte interna, visitando as instalações da antiga estação ferroviária de São Leopoldo, onde além de se informarem de aspectos históricos, também puderam observar objetos pessoais ou que fizeram parte desta história. Abaixo, neste pequeno vídeo, há um extrato destas explicações, ministradas por um dos guias:


Como dito anteriormente, quando pairamos pausadamente o nosso olhar sobre o cotidano, observamos que cada coisa, espaço, detalhe é, antes de mais nada a comprovação de existência temporal, de histórias que confluem-se com o cotidiano, tendemos a nos compreender importantes neste processo, justamente porque, mesmo que de forma indireta, estamos influenciando para a continuidade desta história.
Muitos dos alunos que participaram da atividade, conheciam apenas as imediações do Museu do Trem, nunca tinham o visto internamente, tampouco, sabiam da importância que representa para o passado da própria estrutura hoje representada em partes pela Trensurb.

 

       

Para mais informações, acesse:



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Tempo e Espaço: concepções de professores, concepções de alunos



Não é novidade que as leituras abrangentes e significativas acerca das relações existentes entre tempo e espaço podem servir de valiosas referências quanto às didáticas de ensino, sobretudo, porque o próprio espaço escolar caracteriza-se pelo compartilhamento de experiências, primado nas relações interpessoais.
Desta forma, levar em consideração o universo infantil ou da adolescência, está longe da abdicação do rigor intelectual ou do valor do próprio conhecimento em si. Pelo contrário. É a garantia de que estes conhecimentos serão apropriados de forma significativa e portanto, interessante aos olhos de todos os envolvidos no processo, o que  COOPER denomina como “aprendizado ativo”.
Costumeiramente, encontramos alunos que afirmam não gostar da disciplina de História, visto que geralmente, os métodos de ensino não dizem respeito em nada ao cotidiano social com o qual convivem, tampouco, possui relações com o futuro. Sobre isso, COOPER afirma que, “se quisermos ajudar nossos alunos a se relacionarem ativamente com o passado, precisamos encontrar formas de ensiná-los, desde o começo, que iniciem o processo com eles e seus interesses, que envolvam uma “aprendizagem ativa” e pensamento histórico genuíno, mesmo que embrionário, de maneira crescentemente complexa”
É nesse contexto, que a história regional torna-se tão importante para a formação do aluno, visto que seu estudo torna este campo de estudo muito mais atraente na visão do adolescente e do jovem.
Na minha opinião, o grande diferencial das reflexões da autora se pauta em sua dedicação em traduzir teoria em prática, passando a elencar algumas sugestões de atividades escolares passíveis de realização, das quais, passo a citar algumas, sugerindo algumas adaptações, de acordo com o contexto regional de minha Escola:


* Tempo e mudanças nas vidas dos próprios alunos – Com o auxílio da família, os alunos produzem uma linha do tempo, considerando fatos importantes que ocorreram em sua vida, desde seu nascimento. Após esta fase, cada aluno produzirá um vídeo com depoimentos de seus pais, avós, tios, relatando histórias de sua infância, preferencialmente, ilustradas com fotos. Para finalizar, os vídeos serão reunidos numa coletânea, editados e exibidos para os colegas, finalizando com debates pertinentes ao fato de todos sermos seres que produzem sua própria história.



* Histórias sobre o passado mais distante – Como São Leopoldo possui o título de “berço da imigração alemã no Brasil”, muitos são os costumes, histórias e hábitos germânicos presentes nas famílias capilés. Sendo assim, aproveitar esta herança histórica sob a forma de elaboração de pesquisas com ancestrais, visitações ao Museu do Imigrante, ou ao Museu Visconde de São Leopoldo, ou a Museu do Trem, parecem ser ótimas formas de iniciar o trabalho com estas histórias. Para finalizar, pode-se pensar na produção de uma peça teatral que tenha como pano de fundo uma lenda germânica, ou ainda, a chegada dos primeiros imigrantes ao Vale do Rio dos Sinos.


Interpretações e reconstruções de histórias vivas - Infelizmente, nossa cidade ainda não dedica a devida importância à conservação arquitetônica das construções históricas que constituíram sua história. No entanto, ainda existem alguns exemplares remanescentes. Então, uma atividade que me parece interessante é comparar fotos antigos com fotos atuais destes mesmos lugares, tiradas sob o mesmo ângulo. Para tanto, cada aluno deverá pesquisar uma imagem antiga de São Leopoldo (podendo inclusive, utilizar-se do acervo familiar), localizar o mesmo lugar na atualidade e fotografar, ficando ao crivo do observador, identificar as diferenças entre o ontem e o hoje. Para fechar esta atividade, pode-se organizar uma exposição com estas fotos, tomando-se o cuidado de identificá-las segundo suas autorias.



 REFERÊNCIAS


COOPER, Hilary. Aprendendo e ensinando sobre o passado a crianças de 3 a 8 anos. Educar, Curitiba, v. Especial, p.171-190, 2006. Disponível em: http://revistas.ufpr.br/educar/article/viewFile/5541/4055, acessado em 21 de setembro de 2016. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Comprovantes de Memórias Docente

Pensar a minha identidade como docente é rememorar diferentes fases, revisitar lembranças, por vezes felizes, outras nem tanto assim. Sempre gostei de fotografar, registrar situações envolvendo alunos e colegas de trabalho, justamente porque entendo que se tratam de registros que nos possibilitam revisitar a memória, reviver aquelas circunstâncias, reconhecer aqueles personagens que naquela dada situação, estavam conosco, naquele exato instante de nossa história.
Abaixo, para ilustrar o que afirmo, pode-se observar a foto de minha primeira turma de alunos: uma turma de terceira série, em uma escola rural de meu município, Coronel Vivida/PR. A esquerda, de amarelo, eu, nos idos dos 20 anos, vestindo, literalmente a camisa do Projeto de Educação que os vividenses conheciam como "Educar, plantando".

Minha primeira turma
Local: Comunidade de Palmeirinha, Coronel Vivida/ PR
Data: novembro/2000


Minha caminhada docente é dotada de vários "comprovantes físicos", como minhas aprovações nos concursos públicos para professora, meus diplomas e formaturas (seja no Magistério, depois, como Bacharel em Geografia e num segundo momento, como Licenciada em Geografia. Mais tarde, como Especialista em Gestão Escolar), minhas anotações nos diários de classe, cadernos de planejamentos de saídas a campo, etc.
Penso que justamente por ter iniciado a minha carreira trabalhando com projetos, jogos, atividades baseadas no construtivismo, minhas memórias são cheias de momentos de tentativas de aproximação dos alunos com a natureza, saídas a campo, experiências que extrapolam o espaço da sala de aula, promovendo a interação dos alunos com outros agentes sociais que estão à sua volta, como podemos observar na imagem abaixo.
Esta é minha turma de Terceira Série, no ano de 2003, quando nos envolvemos em um projeto sobre auto-estima. Na ocasião, encenamos a peça "Patinho Feio". Como foi o ano em que perdi meu pai, minha mãe se dedicou a fundo na confecção das roupas e máscaras que utilizamos na peça. Então, embora a fotografia esteja com baixíssima qualidade de resolução, é uma imagem muito especial para mim.
Já a imagem que segue, é de minha primeira turma de Terceira Série da EMEF Doutor Ulisses Guimarães, no ano de 2004, visitando a propriedade de um produtor rural do município.


Lembro que a organização desta visitação foi bem complicada porque ao comunicar a Secretaria de Educação do Município que esta atividade seria realizada em áreas com presença de cachoeiras e açudes, fez-se a exigência de que um bombeiro deveria nos acompanhar preventivamente, para caso de emergência. Então, excetuando a burocracia, acabaram indo dois deles nos acompanhar.
Em 2005, minha última turma no Paraná, ,foi mais que especial porque foi a primeira vez que eu trabalhava com turmas de Quarta Série. Então, eu me sentia super orgulhosa deles! Foi com eles que fiz minha primiera saída a campo "para longe". Levei-os até Vila Velha, em Ponta Grossa. Aliás também fiz questão de que tivessem uma formatura no final do ano, já que deixariam nossa Escola e passariam a estudar em outra. 

Se existe uma palavra que possa definir este período é "Saudade!" Justamente por este motivo, concordo plenamente com as palavras de LE GOFF (2003, apud FELIZARDO e SAMAIN, 2007, p. 214) quando afirma que: "a memória, como capacidade de conservar certas informações, recorre, em primeiro lugar, a um conjunto sobre o assunto. Remetemos à instigante proposta metodológica oferecida por funções psíquicas, graças às quais, o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, que ele representa como passadas."
Já 2006, formada em Geografia, minhas memórias deixam de ser paranaenses e passam a se aclimatar ao gauchismo de São Leopoldo. Até então, minha experiência como os primeiros anos do Ensino Fundamental é colocada à prova no trabalho com adolescentes. Que desafio!

Interessante é que FELIZARDO E SAMAIN (2007, p. 209) chamam a atenção para o fato de que "(...) são grandes as chances de a fotografia digital, não impressa, ao longo dos anos, ficar à deriva, fadada ao desaparecimento e com ela, a memória das pessoas que a fizeram e a inspiraram." Pois foi justamente aí que percebi que minhas fotografias entre 2007 e 2009, embora catalogadas e bem condicionadas em cd´s, perderam-se em sua grande maioria.
Embora eu tenha realizado várias saídas a campo ao longo destes dez anos que resido em São Leopoldo, cujas imagens poderiam reforçar a ideia de comprovantes de minha memória docente, optei pela imagem de uma das mais recentes, da  Escola em que me encontro trabalhando atualmente.
Em suas reflexões, FELIZARDO E SAMAIN (2007, p. 209) chamam a atenção de que "(...) o fato de poder visualizar momentaneamente as fotografias geradas num écran e a forma como as pessoas guardam essas imagens, ora no HD do computador, ora num cartão de memória, num CD ou DVD, todos sujeitos à falhas e erros de leitura, levantam questões preocupantes." Em partes, concordo com esta afirmação. Todavia, com o advento das redes sociais, tenho procurado utilizá-las como recursos pedagógicos, inclusive para armazenamento e registros das atividades que vamos realizando no transcorrer do ano letivo. Além desse recurso apresentar ótimo recurso de armazenagem, justamente por comportar grandes quantidades de fotografias, ainda permitem que a comunicação com os alunos, inclusive com aqueles que já não estão mais em nossa Escola. Penso que aí, resida sua maior importância enquanto forma de incrementação às didáticas de ensino.
























Uma memória organizada por fotos é uma possibilidade de aprendizagem

Acho que antes de mais nada, as fotografias, reorganizadas cronologicamente, apresentam-se como prova primeira de nossa trajetória, nos convidam à reflexão de como lidamos com aquelas circunstâncias ali expressas, em meio aos panoramas que nos cerceavam naquele momento, portanto, revisitamos as aprendizagens construídas a partir daquelas experiências que foram sendo acumuladas.n
Selecionando as fotografias que comporiam este trabalho, confesso que senti dificuldades, porque remexer as memórias, traz de volta sons, cheiros, alegrias, tristezas, enfim, não se limita apenas a uma questão motora. É antes de mais nada, um exercício emocional muito importante, seja para nos darmos por conta das construções que fomos fazendo em nossa caminhada pedagógica, seja para nos orgulhar de cada passo que fomos dando nesta jornada enquanto professores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Excetuando o fato de que as fotos ingressadas neste trabalho estão com a resoluções muito reduzidas, eu gostaria de ingressar muitos outros registros que possuo. Preciso registrar que, em se tratando e PEAD, foi a primeira tarefa que realmente adorei fazer, de verdade!
Sempre gostei de fotografias e de fotografar, e a julgar pela leitura e pelas reflexões que suscitaram, não me surpreendeu que tenha sido interessantíssimo a realização de cada detalhe que ora expus.


REFERÊNCIAS

FELIZARDO, Adair; SAMAIN, Etienne. A fotografia como objeto e recurso de memória. Discursos fotográficos. Londrina, v.3, n. 3. p. 205 -220, 2007. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/1500/1246   , acessado em 28 de novembro de 2016.