quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Metodologias de Ensino de Adição e Subtração para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental

É sabido que, antes mesmos de chegar a idade escolar, as crianças já estão habituadas a noções como ganhar, perder, tirar, juntar, comparar, embora ainda não saibam as designações adequadas que cada ato em si, deva receber. Trata-se de um estágio inicial de aprendizado, que demanda explicações minuciosas, repetitivas, que intercalem momentos coletivos com individuais.
Embora eu não tenha experiência com alfabetização matemática, já tive uma  turma de terceiro ano onde a disciplina de Matemática estava sob minha responsabilidade e, assim como aprendi, achava estar no caminho certo quando reforçava no aluno a ideia de que deveria encontrar palavras chaves nas situações-problemas, já que as mesmas seriam facilitadoras do processo de compreensão/resolução do mesmo.
No entanto, as abordagens das operações aritméticas na atualidade dizem justamente o contrário: há um novo jeito de fazer contas, à exemplo da perspectiva do campo aditivo, desenvolvido nos estudos realizados pelo francês Gérard Vergnaud, em 1977, onde o aluno é instigado a percorrer caminhos diversos para chegar até o resultado. O ensino de adição e de subtração, tratado nestes moldes, passa a valorizar tanto ou mais as estratégias, a maneira como o aluno as defende e valida o processo, a comparação com as soluções dos colegas, que o resultado propriamente dito. 
Percebe-se que o algoritmo tradicional, ou a conta armada, como se diz mais comumente, embora seja importante e precise ser ensinado, deixa de ser a única forma de calcular, sobretudo, em função da sob a sua forma mecânica, sem que o aluno comprenda o que está fazendo.
Outro aspecto do texto que chamou a minha atenção é que ao iniciar o trabalho, seja com adições, seja com subtrações, é preciso dedicar especial atenção à utilização de materiais concretos, sendo de grande valia trabalho com tampinhas, canudinhos, pedrinhas, material dourado, etc. Lembro que quando eu estava aprendendo a realizar as primeiras continhas, era comum que a professora nos pedisse que levasse palitos de fósforos queimados, ou ainda, feijões, os quais eram utilizados para auxiliar durante as  contagens. Esse procedimento é muito importante para construir abstrações quanto à quantidades maiores na sequência, sobretudo, ao envolverem cálculos mentais.
Todavia, fiquei feliz porque, quando utilizo a sapateira na resolução de subtrações e adições, estava indo pelo caminho certo, por assim dizer, porque a descrição do autor, em alguns aspectos se assemelha com o processo que costumava utilizar, ainda que de hora em diante, precise estar mais atenta à utilização da expressão “empresta um”, inadequada por referir-se na verdade a uma troca no valor posicional daquele determinado algarismo naquela situação. 

REFERÊNCIAS

COSTA. Carolina.Somar e subtrair: operações irmãs. Disponível em: http://acervo.novaescola.org.br/matematica/fundamentos/somar-subtrair-operacoes-irmas-500497.shtml, acessado em 31 de outubro de 2016.


SMOLE. Kátia Stocco; MUNIZ. Cristiano Alberto. A matemática em sala de aula: reflexões e propostas para os anos iniciais do ano inicial. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1713676/course/section/1269614/bittar_freitas_pais_cap1.pdf, acessado em 31 de outubro de 2016.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A Matemáticas e minhas didáticas de Ensino

        A Matemática aparece entrelaçada ao ensino de Geografia, já que é possível trabalhar extensões territoriais, dados demográficos, infográficos, distâncias, escalas, projeções, coordenadas geográficas,
amplitudes térmicas, altitudes, entre tantos outros conceitos geográficos que podem ser elencados de forma numérica.
        Desta forma,  a exploração deste caráter interdisciplinar sempre é de grande valia no transcorrer das didáticas de ensino.


         Já no trabalho com os pequenos, procuro desenvolver atividades com formas geométricas (dobraduras), brincadeiras com classificações (por cores, texturas, tamanhos, alturas, velocidade, contém/não contém, etc.), atividades que demandem atenção, contagens, sequenciamentos (brincadeiras como a do 1, 2, PUM, 4, 5, PUM...). 
           Todavia, percebo que as atividades que envolvem movimentação corporal são, sem dúvidas, aquelas que soam-lhes mais atrativas. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Professor, do trabalho árduo ao reconhecimento social merecido!

        Pensar nosso dia a dia como professores, é pensar nas bolinhas de papel nos inúmeros diários para corrigir, nas críticas e nas noites mal dormidas...
         É pensar o quanto ainda dedicamos de créditos aos nossos sonhos, de tornarmos possíveis os sonhos do  mundo... de usarmos nossa vocação para despertar a vocação de outrens...
         Parece-me injusto pararmos para pensarmos neste profissional apenas no 15 de outubro, quando em nosso dia a dia, lidamos com tantas e múltiplas dificuldades! 
         Nossa rotina é dura, nos impele a persistência. Mas que outra profissão nos permitiria olhar nos olhos dos olhos com tamanha dedicação a ponto de ali, vislumbrar felicidade ou tristezas?
         Na matemática de nossa vida, aprendemos que dividir é sempre a melhor solução. Então, dividimos nossa vida, nosso tempo, nossa dedicação, sempre buscando pelas melhores soluções. Isso nos faz grandes, nobres, pois vemos nosso coração sendo lapidado todos os dias.
         Dia 15, receberemos homenagens, frases poéticas, abraços carinhosos, nos sentiremos especiais, porque, cá pra nós, que ofício maravilhoso este o nosso, mesmo em meio a tudo e tantos! 
         Então, com todo o respeito e importância que dedico ao Magistério, desejo que a sociedade finalmente passe a nos ver com o devido valor que representamos, pois afinal de contas, somos as engrenagens que movimentam todo o futuro, já que nenhuma outra profissão o é, sem passar anteriormente pelas nossas mãos! 



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Fé, ciência e medicina: entre aproximações e distanciamentos

Historicamente, a relação entre Ciência e Fé tem passado por várias fases, hora por distanciamentos, hora por alianças. Em se tratando da Medicina, muitas foram as evoluções tecnológicas e científicas, a exemplo da terapia gênica e da clonagem. No entanto, ainda que representem progressos nas formas de tratamento, vez por outra, ainda produzem afastamento por porte daquela parcela da sociedade que permanece acreditando na influência da fé na cura de certas doenças. 
Todavia, uma outra questão que surge ainda mais latente é, como  falar de espiritualidade com um indivíduo de forma ética, sem passionismo religioso e com decoro? 
Nem de longe, parece-nos que o estabelecimento de regras e tratados de procedimentos comuns possam dar conta de satisfazer a amplitude desta questão, dado o caráter pessoal e individualista que agrega em si, além das inúmeras circunstâncias a serem consideradas. 
Sabe-se no entanto que, muito estudos dão conta de que a manifestação da espiritualidade pode afetar a saúde de forma detectável pela ciência, ou seja, é possível demonstrar que os aspectos psicológicos, sociais e religiosos da vida humana podem afetar o corpo físico. Tamanha é aproximação que, conforme aponta Koenig (2012, p. 07),  “hoje, existe um campo que vem crescendo bastante, chamado psiconeuroimunologia – intimamente relacionado à “medicina psicossomática” – que analisa como as experiências mentais e sociais podem afetar aspectos da saúde física.”
Um corpo saudável é aquele em pleno gozo de sua saúde mental, de suas funções imunológicas e endócrinas, bem como, suas funções cardiovasculares, com níveis de estresse equilibrados e que as anormalidades comportamentais de algum destes sistemas costumam provocar áreas de deficiência e em estágios mais avanços, agravos em forma de doenças físicas.
Se analisarmos o caso específico das nações ocidentais até o início do século passado, veremos a predominância de uma cultura balizada em pensamentos lineares e causalistas, onde o encantamento com avanços tecnológicos, configuram um consequente isolamento, quiçá, estímulo aos conflitos entre as questões espirituais e o pensamento científico. Notadamente, a década de 1950, trará ares renovadores à estas visões deterministas, pois como nos afimam Tillmann e Oliveira (2004, p. 55):

“É, em nosso entender, provável que as manifestações religiosas de Einstein, primeiramente expressas nos anos 1950, sejam, de parte do mundo científico da modernidade, um dos primeiros passos facilitadores desta aproximação. Nesse então, Einstein referiu que um cientista podia, efetivamente, ser um homem religioso. Ele, por exemplo, acreditava em uma perspectiva “cósmica, não antropomórfica”, de Deus. Apontava aí que o antropomorfismo era uma necessidade do homem comum para a religiosidade e suas interfaces com a Medicina, a Psicologia compreender a divindade. O cientista iria por outro caminho, mais abstrato, menos sincrético. Mas, ambos, sujeito da multidão e sujeito de ciência, podiam ver-se irmanados ante a circunstância divina. 

Num primeiro momento e dada a notabilidade de Einstein no campo científico, tem-se a impressão de que o mundo moderno saberia como lidar simultaneamente com espiritualidade e ciência. Vale lembrar que para a ciência constituir-se enquanto área de domínio disciplinar, precisou romper paradigmas dogmáticos impostos pela religiosidade que davam conta de explicações naturalizadas ou de ordem divina para os acontecimentos cotidianos ou fenômenos circunstanciais, sendo portanto,  considerados inquestionáveis. 
Parece que em outras áreas, esta aproximação aconteceu de forma mais espontânea que na medicina, já que as atitudes médicas continuam tratando saúde e doença apenas sob seu viés antagônico, conforme apontam os estudos realizados por Diniz (2006, p.)

(...) a saúde seria o pleno exercício dessa normatividade e a doença sua falência. A vida, não sendo fundada por nenhum princípio que a transcende, é o fundamento de todos os princípios e o limite a qualquer outra realidade. A vida humana é o objeto da prática médica; a medicina “existe como arte da vida e porque há homens que se sentem doentes e não porque existem médicos que os informam de suas doenças – o Pathos é anterior ao Logos. O médico tomou, explicitamente, o partido do ser vivo; ele está a serviço da vida, e é a polaridade dinâmica da vida que ele expressa quando fala em normal e patológico”

São inegáveis os numerosos os progressos científicos na medicina e no campo da biologia, juntamente com o crescimento assoberbador de conhecimentos. Ao final, o que se percebe é a necessidade de subespecializações.
Há que se dizer que, quando um médico opta por enxergar holisticamente o paciente que se encontra sob seus cuidados, é comum que seja alvo de estranhamento por parte dos colegas de profissão, sobretudo, em se tratando daqueles que concebem que as consultas médicas não devam atender o global, oferecendo ao paciente muito além da resolução de problemas físicos, psíquicas e espirituais. 
Além disso, ainda que a racionalidade médica reconheça a pessoa enferma como um indivíduo único, singular, dotado de capacidade auto-restauradora, bem como, os benefícios representados pela espiritualidade, ainda carece de evidências sólidas e substanciais.
Recentemente, vemos o termo espiritualidade ampliado para incluir conceitos psicológicos positivos, como significado e propósito, conexão, paz de espírito, bem-estar pessoal e felicidade. Porém, ao considerarem a complexidade e o tempo médico que seria requerido para poder tratar em profundidade os pacientes, vários autores mostram-se reticentes em, diretamente, prescrever um envolvimento médico amplo que considere a abordagem de temas espirituais durante as consultas.

REFERÊNCIAS  

KOENIG.Harold G. Medicina, religião e saúde: o encontro da ciência com a espiritualidade. Disponível em http://imagens.travessa.com.br/capitulo/L_PM_EDITORES/MEDICINA_RELIGIAO_E_SAUDE_O_ENCONTRO_DA_CIENCIA_E_DA_ESPIRITUALIDADE-9788525427199.pdf ), acessado em 02 de dezembro de 2016.


TILLMANN. Ieda A.; HORTA, Cristina L. OLIVEIRA. Flávio M. de. A religiosidade e suas interfaces com a medicina, a psicologia e a educação: o estado da arte. p.53 - 67  in Espiritualidad e qualidade de vida. Disponível em http://biblioteca.unilasalle.edu.br/docs_online/livros/espiritualidade_e_qualidade_de_vida.pdf#page=54, acessado em 02 de dezembro de 2016. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

As relações entre visão de mundo e de natureza: a ciência e sua utilização para a vida sustentável

 Inicialmente, há que se dizer que a construção da Usina Hidrelétrica da Itaipu Binacional não significou apenas o desvio do Rio Paraná de seu curso natural, como também a inundação de extensas áreas florestais e agriculturáveis (lembrando que a economia paranaense baseia-se principalmente na produtividade agrícola). Além disso, no início da década de 1980, com o fechamento das comportas da barragem de Itaipu, as Sete Quedas (até então considerada a maior cachoeira do mundo em volume de água) foram sendo submergidas pouco a pouco, até que lentamente, deixaram de existir! (Para saber mais informações sobre isso, é possível pode-se acessar: http://pt.slideshare.net/elosteffens/as-sete-quedas-e-itaipu )



O nome “Itaipu” significa “pedra que canta”, forma pela qual os guaranis daquela região referiam-se a uma ilha, quase sempre submersa, que parecia medir forças com os barrancos, há poucos quilômetros da confluência entre do Rio Paraná com o Iguaçu.
Todavia, estudos científicos apontaram para aquele ponto um rendimento energético excepcional em virtude do longo cânion escavado pelo Rio Paraná.


 Cito os dados acima porque, se de um lado temos BANIWA falando do empirismo e subjetividade indígena, também o vemos afirmar em dado momento que “cada cultura tem forma própria de organizar, produzir, transmitir e aplicar conhecimentos sempre no plural.” (2006, p. 170). Desta forma,  quando falamos em sustentabilidade, não há como negar a influência indígena neste viés, já que a primazia desta prática se pauta no respeito à natureza. Mas, o grande desafio é: como uma nação pode tornar-se sustentável, depois de 500 anos de história estruturada em moldes capitalistas?
Para exemplificar: É possível impedir a expansão dos “Desertos Verdes” e suas formas de sedução econômica de lucros à curto prazo, conscientizando ecologicamente a população de que estes hábitos potencializam o fenômenos ligados à infertilidade do solo? Esta é uma das preocupações que assolam a comunidade remanescente de quilombos em Casca/ RS, conforme apontam estudos realizados por Laiz Wediggen e Paulo Sérgio da Silva.
A primeira vista, parece uma luta desigual, injusta.
Entretanto, a mesma ciência que propunha  a utilização da energia hidráulica para produção de luz elétrica, ou ainda, a plantação de pinus elliot ou acácia negra para contenção do fenômenos geofísicos, é a mesma que nos surge com sugestões de fontes  de energias alternativas (eólica, solar, biomassa, geotérmica, etc), que nos fala da reutilização de materiais considerados recicláveis, ou ainda, construções de usinas hidrelétricas com reduzidos níveis de impacto sócioambiental.
Neste sentido, o avanço das tecnologias e a simultaneidade das informações são de grande valia porque potencializam a disseminação destes conhecimentos e, estando a Escola socialmente incluída neste contexto, compete-nos enquanto professores, promover práticas com vias a compreender e praticar a sustentabilidade em nosso cotidiano escolar, habituá-la como uma premissa existencial, sejam em conversas informais quanto a importância de que cada ser humano faça a sua parte para o bem comum, seja realizando projetos maiores que englobem também as famílias dos alunos e a própria comunidade escolar nestes processos de conscientização.

REFERÊNCIAS


BANIWA. Gersem. A ciência e os conhecimentos tradicionais in O índio brasileiro: O que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Disponível em : https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1776550/mod_resource/content/1/Livro%20%20-%20O%20%C3%ADndio%20brasileiro%20O%20que%20voc%C3%AA%20precisa%20saber%20sobre%20os%20povos%20ind%C3%ADgenas%20no%20Brasil%20de%20hoje%20de%20Gersem%20Baniwa.pdf acessado em 28 de novembro de 2016.

WEDIGGEN. Laiz e SILVA, Paulo Sérgio da. Educação e respeito ao meio ambiente: a perspectiva emancipatória da educação na comunidade remascente de quilombos de Casca in PROEJA Quilombola. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1798236/mod_resource/content/1/Livro%20PROEJA%20Quilombola.pdf, acessado em 28 de novembro de 2016.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Tempo e Espaço: concepções de professores, concepções de alunos



Não é novidade que as leituras abrangentes e significativas acerca das relações existentes entre tempo e espaço podem servir de valiosas referências quanto às didáticas de ensino, sobretudo, porque o próprio espaço escolar caracteriza-se pelo compartilhamento de experiências, primado nas relações interpessoais.
Desta forma, levar em consideração o universo infantil ou da adolescência, está longe da abdicação do rigor intelectual ou do valor do próprio conhecimento em si. Pelo contrário. É a garantia de que estes conhecimentos serão apropriados de forma significativa e portanto, interessante aos olhos de todos os envolvidos no processo, o que  COOPER denomina como “aprendizado ativo”.
Costumeiramente, encontramos alunos que afirmam não gostar da disciplina de História, visto que geralmente, os métodos de ensino não dizem respeito em nada ao cotidiano social com o qual convivem, tampouco, possui relações com o futuro. Sobre isso, COOPER afirma que, “se quisermos ajudar nossos alunos a se relacionarem ativamente com o passado, precisamos encontrar formas de ensiná-los, desde o começo, que iniciem o processo com eles e seus interesses, que envolvam uma “aprendizagem ativa” e pensamento histórico genuíno, mesmo que embrionário, de maneira crescentemente complexa”
É nesse contexto, que a história regional torna-se tão importante para a formação do aluno, visto que seu estudo torna este campo de estudo muito mais atraente na visão do adolescente e do jovem.
Na minha opinião, o grande diferencial das reflexões da autora se pauta em sua dedicação em traduzir teoria em prática, passando a elencar algumas sugestões de atividades escolares passíveis de realização, das quais, passo a citar algumas, sugerindo algumas adaptações, de acordo com o contexto regional de minha Escola:


* Tempo e mudanças nas vidas dos próprios alunos – Com o auxílio da família, os alunos produzem uma linha do tempo, considerando fatos importantes que ocorreram em sua vida, desde seu nascimento. Após esta fase, cada aluno produzirá um vídeo com depoimentos de seus pais, avós, tios, relatando histórias de sua infância, preferencialmente, ilustradas com fotos. Para finalizar, os vídeos serão reunidos numa coletânea, editados e exibidos para os colegas, finalizando com debates pertinentes ao fato de todos sermos seres que produzem sua própria história.



* Histórias sobre o passado mais distante – Como São Leopoldo possui o título de “berço da imigração alemã no Brasil”, muitos são os costumes, histórias e hábitos germânicos presentes nas famílias capilés. Sendo assim, aproveitar esta herança histórica sob a forma de elaboração de pesquisas com ancestrais, visitações ao Museu do Imigrante, ou ao Museu Visconde de São Leopoldo, ou a Museu do Trem, parecem ser ótimas formas de iniciar o trabalho com estas histórias. Para finalizar, pode-se pensar na produção de uma peça teatral que tenha como pano de fundo uma lenda germânica, ou ainda, a chegada dos primeiros imigrantes ao Vale do Rio dos Sinos.


Interpretações e reconstruções de histórias vivas - Infelizmente, nossa cidade ainda não dedica a devida importância à conservação arquitetônica das construções históricas que constituíram sua história. No entanto, ainda existem alguns exemplares remanescentes. Então, uma atividade que me parece interessante é comparar fotos antigos com fotos atuais destes mesmos lugares, tiradas sob o mesmo ângulo. Para tanto, cada aluno deverá pesquisar uma imagem antiga de São Leopoldo (podendo inclusive, utilizar-se do acervo familiar), localizar o mesmo lugar na atualidade e fotografar, ficando ao crivo do observador, identificar as diferenças entre o ontem e o hoje. Para fechar esta atividade, pode-se organizar uma exposição com estas fotos, tomando-se o cuidado de identificá-las segundo suas autorias.



 REFERÊNCIAS


COOPER, Hilary. Aprendendo e ensinando sobre o passado a crianças de 3 a 8 anos. Educar, Curitiba, v. Especial, p.171-190, 2006. Disponível em: http://revistas.ufpr.br/educar/article/viewFile/5541/4055, acessado em 21 de setembro de 2016. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Comprovantes de Memórias Docente

Pensar a minha identidade como docente é rememorar diferentes fases, revisitar lembranças, por vezes felizes, outras nem tanto assim. Sempre gostei de fotografar, registrar situações envolvendo alunos e colegas de trabalho, justamente porque entendo que se tratam de registros que nos possibilitam revisitar a memória, reviver aquelas circunstâncias, reconhecer aqueles personagens que naquela dada situação, estavam conosco, naquele exato instante de nossa história.
Abaixo, para ilustrar o que afirmo, pode-se observar a foto de minha primeira turma de alunos: uma turma de terceira série, em uma escola rural de meu município, Coronel Vivida/PR. A esquerda, de amarelo, eu, nos idos dos 20 anos, vestindo, literalmente a camisa do Projeto de Educação que os vividenses conheciam como "Educar, plantando".

Minha primeira turma
Local: Comunidade de Palmeirinha, Coronel Vivida/ PR
Data: novembro/2000


Minha caminhada docente é dotada de vários "comprovantes físicos", como minhas aprovações nos concursos públicos para professora, meus diplomas e formaturas (seja no Magistério, depois, como Bacharel em Geografia e num segundo momento, como Licenciada em Geografia. Mais tarde, como Especialista em Gestão Escolar), minhas anotações nos diários de classe, cadernos de planejamentos de saídas a campo, etc.
Penso que justamente por ter iniciado a minha carreira trabalhando com projetos, jogos, atividades baseadas no construtivismo, minhas memórias são cheias de momentos de tentativas de aproximação dos alunos com a natureza, saídas a campo, experiências que extrapolam o espaço da sala de aula, promovendo a interação dos alunos com outros agentes sociais que estão à sua volta, como podemos observar na imagem abaixo.
Esta é minha turma de Terceira Série, no ano de 2003, quando nos envolvemos em um projeto sobre auto-estima. Na ocasião, encenamos a peça "Patinho Feio". Como foi o ano em que perdi meu pai, minha mãe se dedicou a fundo na confecção das roupas e máscaras que utilizamos na peça. Então, embora a fotografia esteja com baixíssima qualidade de resolução, é uma imagem muito especial para mim.
Já a imagem que segue, é de minha primeira turma de Terceira Série da EMEF Doutor Ulisses Guimarães, no ano de 2004, visitando a propriedade de um produtor rural do município.


Lembro que a organização desta visitação foi bem complicada porque ao comunicar a Secretaria de Educação do Município que esta atividade seria realizada em áreas com presença de cachoeiras e açudes, fez-se a exigência de que um bombeiro deveria nos acompanhar preventivamente, para caso de emergência. Então, excetuando a burocracia, acabaram indo dois deles nos acompanhar.
Em 2005, minha última turma no Paraná, ,foi mais que especial porque foi a primeira vez que eu trabalhava com turmas de Quarta Série. Então, eu me sentia super orgulhosa deles! Foi com eles que fiz minha primiera saída a campo "para longe". Levei-os até Vila Velha, em Ponta Grossa. Aliás também fiz questão de que tivessem uma formatura no final do ano, já que deixariam nossa Escola e passariam a estudar em outra. 

Se existe uma palavra que possa definir este período é "Saudade!" Justamente por este motivo, concordo plenamente com as palavras de LE GOFF (2003, apud FELIZARDO e SAMAIN, 2007, p. 214) quando afirma que: "a memória, como capacidade de conservar certas informações, recorre, em primeiro lugar, a um conjunto sobre o assunto. Remetemos à instigante proposta metodológica oferecida por funções psíquicas, graças às quais, o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, que ele representa como passadas."
Já 2006, formada em Geografia, minhas memórias deixam de ser paranaenses e passam a se aclimatar ao gauchismo de São Leopoldo. Até então, minha experiência como os primeiros anos do Ensino Fundamental é colocada à prova no trabalho com adolescentes. Que desafio!

Interessante é que FELIZARDO E SAMAIN (2007, p. 209) chamam a atenção para o fato de que "(...) são grandes as chances de a fotografia digital, não impressa, ao longo dos anos, ficar à deriva, fadada ao desaparecimento e com ela, a memória das pessoas que a fizeram e a inspiraram." Pois foi justamente aí que percebi que minhas fotografias entre 2007 e 2009, embora catalogadas e bem condicionadas em cd´s, perderam-se em sua grande maioria.
Embora eu tenha realizado várias saídas a campo ao longo destes dez anos que resido em São Leopoldo, cujas imagens poderiam reforçar a ideia de comprovantes de minha memória docente, optei pela imagem de uma das mais recentes, da  Escola em que me encontro trabalhando atualmente.
Em suas reflexões, FELIZARDO E SAMAIN (2007, p. 209) chamam a atenção de que "(...) o fato de poder visualizar momentaneamente as fotografias geradas num écran e a forma como as pessoas guardam essas imagens, ora no HD do computador, ora num cartão de memória, num CD ou DVD, todos sujeitos à falhas e erros de leitura, levantam questões preocupantes." Em partes, concordo com esta afirmação. Todavia, com o advento das redes sociais, tenho procurado utilizá-las como recursos pedagógicos, inclusive para armazenamento e registros das atividades que vamos realizando no transcorrer do ano letivo. Além desse recurso apresentar ótimo recurso de armazenagem, justamente por comportar grandes quantidades de fotografias, ainda permitem que a comunicação com os alunos, inclusive com aqueles que já não estão mais em nossa Escola. Penso que aí, resida sua maior importância enquanto forma de incrementação às didáticas de ensino.
























Uma memória organizada por fotos é uma possibilidade de aprendizagem

Acho que antes de mais nada, as fotografias, reorganizadas cronologicamente, apresentam-se como prova primeira de nossa trajetória, nos convidam à reflexão de como lidamos com aquelas circunstâncias ali expressas, em meio aos panoramas que nos cerceavam naquele momento, portanto, revisitamos as aprendizagens construídas a partir daquelas experiências que foram sendo acumuladas.n
Selecionando as fotografias que comporiam este trabalho, confesso que senti dificuldades, porque remexer as memórias, traz de volta sons, cheiros, alegrias, tristezas, enfim, não se limita apenas a uma questão motora. É antes de mais nada, um exercício emocional muito importante, seja para nos darmos por conta das construções que fomos fazendo em nossa caminhada pedagógica, seja para nos orgulhar de cada passo que fomos dando nesta jornada enquanto professores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Excetuando o fato de que as fotos ingressadas neste trabalho estão com a resoluções muito reduzidas, eu gostaria de ingressar muitos outros registros que possuo. Preciso registrar que, em se tratando e PEAD, foi a primeira tarefa que realmente adorei fazer, de verdade!
Sempre gostei de fotografias e de fotografar, e a julgar pela leitura e pelas reflexões que suscitaram, não me surpreendeu que tenha sido interessantíssimo a realização de cada detalhe que ora expus.


REFERÊNCIAS

FELIZARDO, Adair; SAMAIN, Etienne. A fotografia como objeto e recurso de memória. Discursos fotográficos. Londrina, v.3, n. 3. p. 205 -220, 2007. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/1500/1246   , acessado em 28 de novembro de 2016.